Corrupção e impunidade

Corrupção e impunidade

Sabemos que o problema da corrupção, no Brasil e no mundo inteiro, sempre existiu. Todo poder corrompe e, quanto mais ele se perpetua em mãos de tiranos, mais corrompido ele será. A História da humanidade está aí a comprovar a derrocada dos maiores impérios, justamente por conta da degenerescência de seus gestores. Na Grécia antiga, Alexandre, senhor de todo o mundo conhecido em sua época, caiu. Roma, que expandiu o seu poder até os confins da terra, também caiu. Séculos depois, Napoleão Bonaparte, que teve nas mãos a Europa de seu tempo, caiu. Mais recentemente, ditadores e déspotas como Hitler, o” Fürer” ou Mussolini, o “Duce”, que tinham também pretensões de dominar o mundo, também caíram. No Brasil, em nossa pequena história republicana, temos o exemplo de Getúlio Vargas, o homem que governou 19 anos com um charuto e um sorriso, também terminou tragicamente naquele amanhecer inesquecível de 24 de agosto de 1954.


Isto que se falou acima são exemplos de corrupção. Portanto, é coisa muito antiga. Ninguém venha me dizer que foi invenção de Lula...


Mas... que dizer da impunidade?

Cabe aqui uma apreciação realista, uma vez que estamos em pleno século XXI, o século das intercomunicações, da cibernética, que traz o mundo para dentro de nossas casas e o Universo, com suas galáxias, girando no infinito azul. Comodamente, de nossa cadeira, acompanhamos e evolução do ser humano, desde a união das primeiras células vivas. E, como é que este homem assim, que tem o mundo nas mãos, ainda teima em escolher para dirigir os seus destinos os “corruptos” e “ espertalhões”, cujos nomes são tão manjados e conhecidos, expostos aí à expiação pública, que nem vale a pena querer citar-lhes os nomes.


Contam que dois amigos conversavam a respeito deste assunto, quando um deles lastimava não termos mais, entre nossos representantes, um homem de bem. O outro lhe respondeu: Mas a culpa não é deles... A culpa é nossa, minha e sua, que os escolhemos para governar.


Realmente, surgem diariamente nos jornais do país os mais diversos tipos de denúncias envolvendo membros de nossa classe política, desde o Distrito Federal até o menor município do país. Então, teremos que encontrar a causa mais provável para a subsistência dessas excrescências da vida nacional. Acho que somente na IMPUNIDADE, que é a certeza de que nada vai acontecer, é onde se encontra a alavanca que sustenta, dá coragem e ousadia a esses aventureiros para “irrigar” os seus  canais de corrupção.


Quando chamados a juízo, comparecem sem o menor constrangimento e com a maior cara de pau, porque têm a convicção de que aqueles idiotas que os sufragaram acreditam neles e, contando com a natural e costumeira morosidade de nossa justiça, eles passarão apenas para o anedotário nacional. Vão parar na cadeia apenas os caseiros e/ou os motoristas que se meteram a dar uma de herói, delatando as falcatruas.


Portanto, o nosso problema, não resta dúvida, é de natureza cultural. Muito difícil de ser erradicado, pois é tarefa quase impossível modificar o caráter de uma nação, imensa e diversificada como a nossa, que já nasceu, segundo dizem, à sombra da corrupção. Contam que o “ escrivão da frota”, Pero Vaz de Caminha, que acompanhou Pedro Álvares Cabral na viagem do descobrimento,  ao enviar as primeiras cartas para Sua Majestade D. Manoel I , de Portugal, já pedia colocação para dois filhos, suas mulheres e mais alguns parentes...


Há tempos que um estudioso de nossos costumes políticos já chamava o nosso Congresso de “puleiro da decrepitude nacional”. Hoje, depois de todos os escândalos, propinas, diretorias inócuas, viagens internacionais, adulterações de painéis eletrônicos, contratações de funcionários fantasmas, delitos esses todos detectados, mas nunca apurados, só nos resta esperar que um sopro renovador restabeleça na grande maioria de nossos poderes constituídos o sentimento da honra, da dignidade, do respeito à coisa pública. Porque a coisa pública não é a coisa de ninguém, como eles pensam, mas é a riqueza do povo, a dignidade da Pátria, a honra da nação. Vamos ver, na prática, os resultados do  “Ficha Limpa”...
João Pessoa, março de 2012.

João Bosco Fernandes
Procurador do Estado - Aposentado